1

Crítica: Vortex Cultural – 007 contra Spectre

Para comemorar nossa nova parceria com a galera do Vortex Cultural, Filipe Pereira,
crítico de cinema e editor do Vortex escreve com exclusividade para o Bondcast sua crítica de 007 Contra SPECTRE.

BCOFF_Banner_SPECTRE_Vortex

O texto tem dois pequenos spoilers, apenas para atiçar sua curiosidade (texto oculto, basta selecioná-lo para ler). Abaixo, a resenha do Filipe:

“Após um longo período -de aproximadamente treze anos – um filme de 007 se inicia com a tradicional mira do assassino (Gunbarrel) observando o agente secreto James Bond. Curiosamente, esse aspecto resume o retorno que Sam Mendes pretende para sua parte na historiografia do personagem, repaginando grande parte dos momentos canônicos e clássicos dentro dos seus dois filmes do espião.

Spectre tem um começo direto, agressivo, envolvendo sensualidade e violência de um modo único, mais uma vez se assemelhando aos seis primeiros filmes da franquia. Há um plano sequência de aproximadamente cinco minutos, fazendo largo uso do tema musical orquestrado por John Barry. Logo, a trama se apresenta, mostrando uma vilania que evoca o passado, mas com temas mais atuais, saindo a paranoia típica da Guerra Fria, substituindo essa muleta narrativa por uma discussão sobre sociedade de controle.

A ode de Sam Mendes aos filmes de Connery, que já havia ocorrido em Skyfall prossegue nesse, desde as sequências dentro do trem, em que Bond e Madeleine Swann (Lea Seydoux, esplendorosa como sempre), onde finalmente os dois destinos se conciliam – como em Moscou Contra 007 – e claro, com o plot dos opositores e relações pessoais bastante semelhante ao visto em A Serviço Secreto de Sua Majestade, com o “agravo” de o 007 de Daniel Craig estar muito mais maduro e associado ao ícone do o era com George Lazenby.

De ponto negativo, há a desnecessária abordagem dada a Monica Bellucci, de beleza aplacada para não ofuscar Seydoux. O semblante da italiana em premieres do filme é bem mais expositivo do que no longa, o que gera um claro desperdício de beleza. No entanto, existe um cuidado extremo do roteiro para não soar sexista novamente, como era prache no século passado, e mais do que isso, o resgate ao clássico inclui também as passagens de Ben Whishaw como Q, imitando Desmond Llewelyn em alguns momentos, soando bastante interessante.

Partes do argumento, especialmente em relação a sabotagem e evasão de informação, se assemelha muito ao plot do recente Missão Impossível 5, o que não é necessariamente um defeito, já que a tendência a explorar o assunto é atualíssima. Spectre talvez perca em nível de diversão ao quinto episódio da franquia de Tom Cruise, mas é muito superior em nível cinematográfico, seja pela direção, fotografia ou cenários magnânimos.

O quarto filme de Craig consegue agigantar o que já era interessante em Operação Skyfall, atualizando temas belamente. Nem mesmo a utilização de Chistoph Waltz como vilão Obenhauser faz perder o fôlego do longa-metragem, incluindo aí as revelações ao final da película. A remontagem organizada por Mendes se assemelha ao mesmo resgate que o escritor escocês Grant Morrison fazia em seus roteiros na DC Comics, tomando para si elementos antigos, dando significaddos novos para tais aspectos, conseguindo atingir a fina harmonia entre ser fiel aos textos de Ian Fleming e ainda apresentar histórias palatáveis para novas e antigas plateias, com um interprete cada vez mais inspirado e à vontade com seu papel.

Texto de Autoria de Filipe Pereira, crítico de cinema e editor do Vortex Cultural

Nota: 6 de 007″

Bondcast

One Comment

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *