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A Review To a Kill – Licença para Renovar, inventar e adaptar!

Após a morte de Ian Fleming em 12 de Agosto de 1964 dificilmente sua obra ficaria sem continuidade. O primeiro romancista a criar uma aventura de James Bond foi Kingsley Amis com o romance Colonel Sun (no Brasil: 007 Contra Pequim) de 1968, mas foi na década de 80 que surgiu o romancista que mais escreveu Bond após Fleming. Seu nome: Gardner, John Gardner.

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Gardner (foto) nasceu na Inglaterra em 20 de Novembro de 1926 e faleceu em 2 de Agosto de 2007 de problemas de coração. Há registros biográficos indicando que, além de romancista, John fora um espião britânico. Afora 007, escreveu alguns romances sobre o vilão e rival de Sherlock Holmes, Professor Moriarty, e principalmente uma série de livros sobre Boysie Oakes, um fictício ex-agente britânico que, inclusive, ganhou uma versão cinematográfica (The Liquidator, de 1965), contando com participação de Jill St. John, famosa por participar de 007 Os Diamantes São Eternos (Diamonds Are Forever, de 1971).

A primeira obra que Gardner escreveu, dentro do universo criado por Ian Fleming, foi Licence Renewed, de 1981 (Licença Renovada, no Brasil), com James Bond ainda em alta e voltando a ser muito popular após 007 O Espião Que Me Amava (Spy Who Loved Me, de 1977). Gardner chegava com seu livro no mesmo ano do filme 007 Somente Para Seus Olhos (For Your Eyes Only) e a escolha deste autor não foi por acaso, afinal, ele já havia escrito outras obras sobre espionagem e ganharia a missão de dar fim ao hiato literário que as aventuras de Bond enfrentavam desde 1968. Nas palavras do autor, o ponto de partida para a nova série foi “colocar Bond para dormir onde Fleming o deixara nos anos 60, e acordá-lo na década de 80, certificando-se de que o personagem não envelhecera, mas acumulara um pensamento moderno sobre inteligência e assuntos de segurança.”

Estas mudanças ficam claras nos primeiros capítulos: os tempos estão mudando, a seção Duplo-0 está sendo abolida, sendo que 007 só era convocado por M para serviços especiais – o  que deixou Bond deveras insatisfeito, fazendo trabalho de escritório por cerca de 2 anos. A vida havia mudado tanto que Bond se deu ao luxo de adquirir um chalé de campo e trocar o seu velho Bentley por um Saab 900 Turbo, e sua Wather PPK (descrita como uma arma que vivia emperrando) por uma Browning 9mm ou até mesmo uma Colt 45. Vale citar também os poucos cabelos brancos que começavam a surgir, como notado pela boa e velha Moneypenny.

XSaab-1024x455(Novo carro)

Ao ser chamado às pressas por M, Bond encontra chefes do setor do MI5 e da Seção Especial de Polícia Metropolitana que estão solicitando apoio ao MI6 (deixando todas as diferenças e concorrências internas) para acompanhar os passos de Franco, um terrorista que vinha se encontrando com Anton Murik, lorde de Murcaldy (Escócia), que é um físico nuclear. No encontro, a preocupação de todos os setores é sobre a presença de Franco; porém, M com toda sua astúcia, se preocupa mais com Murik: homem de linhagem duvidosa, formado em Cambridge, que trabalhou com conselheiros de Winston Churchill (primeiro ministro Britânico durante a Segunda Guerra Mundial), participado do Projeto Manhattan (projeto em que foram desenvolvidas as primeiras bombas atômicas), e ex-presidente do Comitê para Uso Pacífico de Energia Atômica.

A renúncia deste cargo de presidente está relacionada ao fanatismo do homem ao assumir posição das pessoas que protestam contra o uso de energia nuclear em função de seus perigos.  Promoveu uma grande campanha contra o uso de alguns tipos de reatores nucleares, alegando ter projetado um reator perfeito, em que nada poderia dar errado (nomeou de Ultra-Seguro Murik). Quando outros cientistas afirmaram que o projeto possuía graves problemas e riscos, além de ser mais caro, e após não conseguir os recursos do Comitê para construção, Murik renunciou ao cargo de presidente. Devido a esta situação e aos encontros com o terrorista conhecido como Franco, M decide que Bond deve se infiltrar e descobrir tudo sobre Anton Murik, seguindo um caminho diferente do proposto pelos outros setores de segurança.152415_01_browning_satin_nickel_9mm_hi_p_640(Nova arma)

Ao se preparar para a missão, Bond troca de arma com Major Boothoryd e junto ao Setor-Q somos apresentados a Ann Reilly, conhecida como Q-Coisa (originalmente Q’ute, algo como bonitinha), nova executiva do setor, que acabou criando uma relação com bem próxima (se é que você me entende) com James Bond.

James Bond 007 - Licença Renovada-CAPA_PhotoReduktoPara se aproximar do vilão, Bond arma uma maneira de se mostrar como um mercenário em busca de emprego durante uma corrida de cavalos, onde conhece Lavender “Dilly” Peacock (interesse romântico de Bond e verdadeira herdeira de Murcaldy) e Mary Jane Mashkin (secretária e amante de Anton). A trama a partir disto se mostra bem fiel ao formato Fleming e principalmente ao formato cinematográfico: 007 se infiltra; é descoberto; enfrenta uma série de situações para comunicar M sobre os Planos de Muric, que almeja provocar uma “Síndrome da China” (um evento catastrófico, quando um reator nuclear fica sem controle, causando um vazamento que poderia “chegar à China”), em seis usinas nucleares, simultaneamente, e ainda cobrar um resgate de 50 bilhões de dólares em diamantes. Em paralelo, Bond elimina o terrorista Franco, que além da missão de infiltrar homens nas usinas teria que eliminar Lavender. Warlock, o codinome de Muric (algo como Feiticeiro ou Bruxo), acreditava ter tudo sobre controle, mas como a maioria dos vilões enfrentados pelo agente secreto, Anton subestimou Bond, com toda sua vaidade e soberba: desperdiçou tempo precioso trocando detalhes sobre seus planos.

Todos os personagens das histórias de Bond também estão aqui, Major Boothroyd, Moneypenny, May, Turner, M e até uma situação pontual com o agente da CIA, muito amigo de 007 (Felix Leiter).  Nesta aventura, temos mais uma vez, a formula básica de 007: Vilões megalomaníacos, lindas e sedutoras mulheres, belos lugares e muita ação. Uma aventura fiel a Fleming e fiel a Bond, nada extraordinário, mas um bom recomeço para um personagem que estava “congelado” para o mundo literário.

Ordem de lançamento:
Licence Renewed (1981)
For Special Services (1982)
Icebreaker (1983)
Role of Honour (1984)
Nobody Lives For Ever (1986)
No Deals, Mr. Bond (1987)
Scorpius (1988)
Win, Lose or Die (1989)
Brokenclaw (1990)
The Man from Barbarossa (1991)
Death Is Forever (1992)
Never Send Flowers (1993)
SeaFire (1994)
Cold (1996)

 Por: Giuzão Chagas

Bondcast

6 Comments

  1. Nota 10 pela iniciativa e pela resenha. Afinal, Bond não foi escrito apenas pelo Fleming. No aguardo pela resenha dos outros livros…

    • Oi Fernando! !
      Acesse no Menu Arquivo, vai encontrar a seção de matérias onde já resenhamos: Missão Silverfin, Solo, Devil Meu Care, Carte Blanche e Poderoso Chefão.

    • Bem que podiam adaptar os filmes através desses livros. Assim saiam produções a cada dois anos como antigamente, com exceção da década de 60 que tinha um filme a cada ano.

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