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Review – Judas e o Messias Negro

Existem muitos documentários sobre a história do Partido dos Panteras Negras, mas ‘Judas e o Messias Negro’ é o primeiro grande drama de Hollywood que coloca a organização e seu ativismo na frente e no centro da trama.Isso mostra a timidez da indústria cinematográfica americana, que geralmente prefere histórias mais simples e tranquilizadoras sobre justiça racial, e que raramente se sente confortável com os Panteras Negras – a menos que sejam do tipo Marvel. Só por isso, ‘Judas e o Messias Negro’, dirigido por Shaka King a partir de um roteiro que ele escreveu com Will Berson, já parece uma espécie de avanço cinematográfico.

A trama se concentra nos últimos anos de vida de Fred Hampton, o presidente do Partido dos Panteras em Illinois – interpretado por Daniel Kaluuya com uma performance feroz e magnética. No início do filme, o chefe do FBI, J. Edgar Hoover (Martin Sheen), identifica Hampton como uma ameaça perigosa – um potencial messias que incitará a violência e fortalecerá outros grupos políticos de esquerda. E então o FBI recruta um jovem bandido chamado William O’Neal, interpretado por LaKeith Stanfield, para se infiltrar nos Panteras Negras em Chicago e ajudar a derrubar Hampton.

Embora às vezes pareça um thriller policial – com emboscadas e tiroteios, perseguições e interrogatórios – o filme funciona melhor como um drama político. Em uma das melhores cenas do filme, Hampton consegue roubar o show ao fazer um discurso emocionante e inflamado na frente de centenas de apoiadores após sua libertação da prisão. Enquanto isso, a câmera captura uma tensão crescente entre O’Neal e seu manipulador do FBI Roy Mitchell (Jesse Plemons), que está disfarçado na multidão, adicionando outra camada de suspense.

É preciso destacar o desempenho incrível de Dominique Fishback como a namorada de Hampton, Deborah Johnson. Começando como uma apoiadora tímida e quieta, ela usa o amor pela poesia para fortalecer as palavras de Hampton e fornece uma inspeção mais profunda da luta de ser uma mulher forte. ‘Judas e o Messias Negro’ representa um esforço disciplinado e apaixonado para trazer clareza à um momento volátil, para dispensar o sentimentalismo e o revisionismo que muitas vezes obscurecem os filmes sobre os anos 1960 e sobre a política racial. É fascinante por si só, e ainda mais quando visto ao lado de outros filmes recentes.

Por Luís Vinícius Melione

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